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Crise Aérea

E aí vem a Azul...

Há poucos meses David Neeleman anunciou a criação de uma nova companhia aérea no Brasil. A proposta era criar uma companhia genuinamente brasileira e feita para o seu mercado e, para isso, começou anunciando que encomendaria os jatos da Embraer, modelo E-195 e uma série de outras medidas, inovadoras para nosso mercado, para conquistar os passageiros.

Após um concurso nasceu o nome da nova companhia aérea, Azul Linhas Aéreas Brasileiras, e a identidade visual da companhia apresentada em fotos de E-195 retocadas. A previsão de início de operação é Janeiro de 2009, com algumas rotas e ir, gradativamente, aumento o número de rotas e cidades atendidas.

Mas o artigo foca-se em: será que o sistema aéreo brasileiro suporta mais uma companhia aérea? Ou melhor: será que o sistema comporta o aumento natural, que é representado, por exemplo, pelo surgimento de novas companhias aéreas? Será que, dentro de alguns anos, o sistema entrará em colapso? As respostas são dadas a seguir e as soluções que estão sendo tomadas e as que devem ser tomadas.

A situação operacional dos aeroportos atualmente não é animadora. Dos 67 aeroportos controlados pela Infraero, muitos estão operando acima da capacidade, como por exemplo: Congonhas com capacidade de 12 milhões de passageiros/ano opera com 15,2 milhões de passageiros/ano; Guarulhos com 16,5 milhões de passageiros/anos operando com 18,8 milhões de passageiros/ano; e outros aeroportos como o de Florianópolis opera com 1,9 milhões de passageiros/ano com capacidade de 800 mil passageiros/ano.

Como se não bastasse a saturação dos principais aeroportos brasileiros as condições de trabalho dos controladores de vôo e dos equipamentos também deixam a desejar. Há aeroportos operando com equipamentos que completam cerca de 15 anos de uso e outros que nem equipamento tem, como é o caso dos aeroportos que não possuem radares para realizar as operações de aproximação. Há relatos de controladores, enviados aos seus superiores, que dão conta de ratos na salas de controle de vôo o que pode ocasionar defeitos nos equipamentos.

Entretanto pouco tem sido feito no sentido de melhorar a situação. Algumas medidas para diminuir o tráfego aéreo nos pontos de estrangulamento do sistema quase não surtiram efeitos e obras que melhorariam muito os aeroportos já existentes estão longe de sair do papel. É o caso de Congonhas e Guarulhos onde no primeiro poderia ser construída uma espécie de plataforma sobre a Avenida Washington Luís a fim de se prolongar a pista do aeroporto e inserir áreas de escape com concreto poroso que ajudam na frenagem da aeronave. Em Cumbica a construção do terceiro terminal de passageiros seria uma solução, mas está emperrado na burocracia brasileira e a terceira pista está descartada devido ao grande número de indenizações das áreas invadidas por sem-tetos.

Em Brasília há a necessidade da ampliação do terminal para aumentar a capacidade do aeroporto assim como diversos aeroportos. No âmbito do controle de tráfego aéreo é necessário modernizar os equipamentos, comprar equipamentos para aeroportos que não os possuem, como aqueles sem radar e outros muitos que não possuem ILS (sistema para pouso por instrumentos).

Não é preciso lembrar que problemas de gestão nas estatais que administram o setor travam projetos e fazem com que o dinheiro destinado, cerca de R$ 1,1 bilhões, seja pouco aproveitado, só 35% desse recurso foi realmente utilizado. Além disso, os desvios e superfaturamentos de obras fazem desaparecer este dinheiro, que por sinal é do contribuinte, especialmente daquele que utiliza aeroportos.

É preciso mudar drasticamente essa situação, pois estamos a 6 anos da Copa do Mundo de 2014 que será realizada no Brasil. As previsões, se o ritmo de projetos para melhorar o setor continuar como está hoje, são catastróficas para o ano da Copa. Só para citar, em 2010 Congonhas e Guarulhos terão 22,1 milhões de passageiros/ano e 22,3 milhões de passageiros/ano de utilização, respectivamente; Brasília terá 14,6 milhões.

A entrada da Azul no mercado brasileiro é, sem dúvida, excelente para o consumidor, pois estimula a concorrência reduzindo assim os preços das passagens e aumentando a qualidade dos serviços prestados. Mas, como já citado, se nada mudar a tendência é, mais cedo ou mais tarde, do sistema aéreo no Brasil entrar em colapso. A previsão é assustadora, mas não deixa de ser real e, então, veremos aquelas velhas cenas de 2006 se repitirem...

Escrito por GN, 16/07/08, às 19h40.

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