Que se lixem para nós, o que importa é barganhar...

Amigos leitores, o caso da demissão do irmão e cunhada do Senador Romero Jucá (PMDB-RR), que é o líder do governo no Senado, da Empresa Brasileira de Infra-estrutura Aeroportuária (INFRAERO) expôs ao Brasil o que deveria ser feito em toda máquina administrativa do governo. É preciso cortar as indicações políticas e substituí-los por funcionários competentes, que tem formação profissional na área que atuam. É necessário profissionalizar, e rápido.
A INFRAERO dá um passo importante nesse sentido. O Ministro Nelson Jobim, a exemplo do que fez com a Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), mandou demitir muitos outros funcionários da estatal que tinham ganhado seus cargos por indicação política do PMDB. Romero Jucá, que teve dois parentes indicados, está irritadíssimo com o Ministro e foi a tribuna do Senado anunciar retaliações.
Com o pretexto de profissionalizar todo o Ministério da Defesa o nobre senador disse que irá propor uma PEC (Proposta de Emenda Constitucional) para permitir que militares ocupem o posto de Ministro da Defesa. Embora negada pelo próprio senador, uma retaliação baixa, atingindo um dos fatores de democracia nacional, que é o fato de, obrigatoriamente, ser um civil a assumir o posto de Ministro da Defesa. A ideia é simples: para não haver predominância entre as Forças Militares do país, escolhe-se um civil para comandar as três forças existentes. É assim em todas as democracias que tem Forças Armadas, inclusive nos Estados Unidos.
Ao melhor estilo “estou pouco me lixando para a opinião pública” de seu colega Deputado Sérgio Moraes (PTB-RS), Jucá comprova a tese do Senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE), onde disse que o PMDB só quer saber de barganhar cargos para roubar dinheiro público e ganhar propina de empresários em troca de favores.
Vamos voltar a INFRAERO. A presença de apadrinhados políticos na estatal é grande, especialmente de políticos do PMDB. A estatal é hoje uma das que mais tem problemas com desvios de dinheiro público e objeto de barganha de propina a empresários que prestam serviços. É claro que deve haver servidores públicos concursados que praticam tais atos, mas quem abocanha a maior parte mesmo são os apadrinhados políticos.
Esta triste realidade, que começa a mudar com as mudanças impostas por Jobim, afeta diretamente os serviços prestados nos aeroportos. É simplesmente decadente a situação de algum deles. Florianópolis pena por um novo terminal que já nascerá com a capacidade estourada. Em Porto Alegre as instalações de sistemas que darão condições de operações em casos de falta de visibilidade caminha a passos lentos. Congonhas é o absurdo quando se fala em aviação. Guarulhos tem seu crescimento emperrado em burocracia e fraudes. Galeão, nas definições de Sérgio Cabral, governador do Rio de Janeiro, é uma rodoviária que não tem papel higiênico e o elevador não funciona. E assim por diante...
Sem falar nas falhas de operações. Dias desses, segundo a comentarista Lúcia Hippólito, da rádio CBN, um avião da TAM, que realizara uma ponte aérea, ficou mais de vinte minutos aguardando funcionários da INFRAERO prover condições para que os passageiros pudessem descer. O finger (ponte de desembarque) estragou e a INFRAERO demorou a providenciar uma escada e um ônibus para levar os passageiros até o terminal. O problema de falta de equipamentos é gritante. Certa vez, no Galeão, esperei quase quinze minutos um trator para realizar o push-back da aeronave.
Bom, agora é esperar e acreditar que as medidas de Nelson Jobim continuem, porque ele promete mais demissões. Muitos outros senadores e deputados continuarão a reclamar e retaliar, mas o fato é realmente preciso demitir. Além disso, é preciso investigar as ações daqueles que foram demitidos, porque descobriremos muitos esquemas de corrupções. O problema será provar, já que o nosso velho companheiro Maluf inaugurou uma nova era na Justiça brasileira. Como disse Arnaldo Jabor, Maluf provou que prova não prova nada... que ele não é o Maluf que abriu as contas nos paraísos fiscais... e que nós, bem, nós não somos nós... por isso que se lixem para nossa opinião.
GN, escrito em 06/06/09, às 22h
